Artropatia de Charcot: um motivo para controlar bem o diabetes

artropatia de Charcot

Também conhecida como neuroartropatia de Charcot ou Pé de Charcot, a artropatia de Charcot é uma complicação de doenças, como o diabetes e a hanseníase, principalmente. Existem estudos que associam essa doença também a casos de neurossífilis, siringomielia e outras doenças neurológicas. Ela se caracteriza por deformações nos ossos e nas articulações dos pés. No texto de hoje vou explicar um pouco sobre o porquê de essa deformidade acontecer, seus sintomas e tratamento.

Causas

Como expliquei acima, essa doença ortopédica é uma complicação de outra doença que o paciente já tem, como o diabetes. No caso do pé de Charcot, ele costuma surgir 10 anos após o estabelecimento do diabetes, em pacientes na faixa dos 50 a 60 anos. É considerada uma complicação grave, e que aumenta o risco de mortalidade, reduzindo a qualidade de vida.

Pacientes com doenças neuropáticas como o diabetes têm a sensibilidade periférica e a propriocepção reduzidas, o que faz com que não percebam pequenas lesões nas articulações dos pés e não busquem o tratamento. Essas lesões podem cicatrizar da forma incorreta, ficarem frágeis e suscetíveis a novos traumas, criando o quadro de deformidade que caracteriza o pé de Charcot.

Outra explicação possível é que esses pacientes têm reflexos nervosos desregulados e isso faz com que certas articulações recebam mais fluxo sanguíneo do que o normal, prejudicando a ligação entre ossos e articulações.

Sintomas

Os sintomas iniciais são um edema leve e algum inchaço e deformidade. Se não tratados, esses sintomas evoluem para uma deformidade maior, inflamação, eritema, dor e aumento da temperatura da pele.

Através de radiografias, o médico ortopedista especialista em pé e tornozelo vai notar sinais não visíveis externamente, como a reabsorção óssea e a degeneração nas articulações. É interessante observar que nem todos os pacientes relatam dor (cerca de 75% têm esse sintoma), apesar de os sinais clínicos serem similares aos de outras doenças que apresentam taxa de dor maior.

É muito importante buscar o diagnóstico e tratamento com o ortopedista aos primeiros sinais da doença, inclusive porque ela é um sinal de que o diabetes ou outra doença neuropática está mal controlada e outras complicações podem surgir.

Tratamento

Depois de diagnosticar a doença, o paciente pode tratar suas deformidades e degenerações, reduzindo, assim, as áreas de muita pressão sobre as articulações, que provocam as lesões e ulcerações. São duas possibilidades de tratamento: o conservador com gesso ou órteses, e a cirurgia, para os casos em que não é possível utilizar as outras formas de tratamento.

O gesso e as órteses atuam aliviando a pressão e imobilizando as articulações. O uso de andadores e muletas e o encaminhamento para a fisioterapia costumam acompanhar esse tratamento. É muito importante também tratar o desequilíbrio da vascularização e agir na prevenção de infecções.

Já a cirurgia procura corrigir deformidades graves instaladas e tratar feridas infectadas que possam ter surgido devido à artropatia de Charcot. Em raros casos, em que não há possibilidade de recuperação, a amputação do pé é necessária.

A informação mais importante que você precisa guardar desse texto é que a artropatia de Charcot é, na maioria das vezes, uma complicação que resulta do descuido com o controle do diabetes. Portanto, além de procurar o ortopedista especialista em pé e tornozelo para tratar diretamente essa doença, é importante também corrigir o tratamento do diabetes para evitar que complicações como essa continuem surgindo.

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Dr. Daniel Souto

É ortopedista e traumatologista com formação e graduação em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Especializou-se em ortopedia e traumatologia na grande Florianópolis, no Hospital Homero de Miranda Gomes, também conhecido como Hospital Regional de São José. Além disso, realizou o fellowship em Traumatologia do Esporte em São Paulo, e participou de diversos cursos voltados ao desenvolvimento de atletas de alta performance. Hoje, é chefe do serviço de Traumatologia do Hospital de Tramandaí – RS, e diretor clínico e ortopedista no Centro de Especialidade e Reabilitação em Osório. Seu atendimento abrange diversas cidades do litoral gaúcho, incluindo Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa, Osório, Xangri-Lá e Mariápolis, onde proporciona um cuidado humano e personalizado a seus pacientes.

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