Gota tem tratamento! Descubra como se livrar desse problema!

gota

Você sabia que o desequilíbrio das taxas de ácido úrico no sangue pode causar um problema ortopédico? A gota é uma doença inflamatória que acomete as articulações quando as taxas desse ácido estão acima do normal (isso é chamado de hiperuricemia). No texto de hoje, vou explicar um pouco sobre essa doença, que pode atingir qualquer articulação do corpo, mas é bem mais comum nos pés e principalmente no dedão.

Causas da gota

As altas taxas de ácido úrico no sangue podem ser tanto devido a uma produção excessiva dessa substância no corpo quanto por causa de eliminação deficiente. São vários os fatores de risco para essa doença: homens a desenvolvem mais do que as mulheres, e principalmente aqueles com sobrepeso ou obesidade, que consomem bebidas alcoólicas e são sedentários. Entre as mulheres, a gota é mais frequente após os 60 anos de idade. Nem todas as pessoas que tem hiperuricemia desenvolverão a gota, que também está, portanto, associada a esses outros fatores de risco.

Sintomas da doença

Pode não ser muito clara a relação entre o excesso de uma substância no sangue e um problema nas articulações. Contudo, devido à concentração de ácido úrico no sangue, ocorre a deposição de cristais nos tecidos, o que causa a inflamação que mencionei no início. A inflamação é responsável pelos sintomas da gota, que são:

• Dor nas articulações do dedão (tornozelo e joelhos também são regiões bastante afetadas);

• Crises de artrite aguda;

• Inflamação;

• Vermelhidão e inchaço no local;

• Cálculos que formam protuberâncias na pele.

Uma característica particular da dor da gota é que ela geralmente começa de madrugada e é intensa o suficiente para acordar o paciente. As crises de gota, em pessoas que têm hiperuricemia, podem ser desencadeadas pela ingestão de álcool, por uma dieta rica em purina, algum trauma físico, quimioterapia, e pelo uso de diurético.

Diagnóstico e tratamento

A gota é uma doença que afeta muito a qualidade de vida e, apesar de não ter cura, é possível diminuir a dor e evitar lesões através do tratamento. Por isso, não deixe de procurar o médico ortopedista especialista em pé e tornozelo para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento o quanto antes. Esse diagnóstico é feito através da análise da história clínica do paciente e também dos exames de sangue, que vão mostrar os níveis de ácido úrico. Podem ser solicitados, também, alguns exames complementares como radiografias e exame para detectar a dosagem de ácido úrico na urina.

Para aliviar a dor nas crises agudas de gota, o tratamento é feito com o uso de colchicina, anti-inflamatórios ou ambos os medicamentos associados.

Também é necessário controlar o excesso de ácido úrico no sangue através da adequação da rotina e dieta, para evitar fatores desencadeantes e alimentos que estimulam a formação do ácido, além de aumentar a ingestão de líquidos para favorecer a excreção. Em casos mais avançados em que se formaram cálculos sobre a pele (as protuberâncias ou “tofos”), pode ser necessária a cirurgia para a retirada.

Algumas recomendações aos pacientes que estão tratando a gota:

• Evitar o consumo de frutos do mar, carne vermelha e pele de aves enquanto os níveis de ácido úrico ainda estiverem altos;

• O consumo moderado de bebidas alcoólicas é permitido aos pacientes com gota, desde que os níveis de ácido úrico estejam controlados;

• Controlar a obesidade;

• Tratar doenças associadas como a hipertensão e diabetes.

Por ser uma doença que se manifesta em crises, alguns pacientes deixam de procurar o médico depois de passada a primeira crise, ou mesmo a segunda ou terceira. Porém, com o tempo, a gota não tratada vai apresentar crises cada vez mais frequentes, com dores cuja intensidade aumenta gradualmente. O paciente corre o risco de deformidades nas articulações. Por isso, se você se identificou com os sintomas que expliquei nesse texto, não os ignore, procure seu médico para exames e diagnóstico. Sua qualidade de vida não pode esperar.

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Dr. Daniel Souto

É ortopedista e traumatologista com formação e graduação em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Especializou-se em ortopedia e traumatologia na grande Florianópolis, no Hospital Homero de Miranda Gomes, também conhecido como Hospital Regional de São José. Além disso, realizou o fellowship em Traumatologia do Esporte em São Paulo, e participou de diversos cursos voltados ao desenvolvimento de atletas de alta performance. Hoje, é chefe do serviço de Traumatologia do Hospital de Tramandaí – RS, e diretor clínico e ortopedista no Centro de Especialidade e Reabilitação em Osório. Seu atendimento abrange diversas cidades do litoral gaúcho, incluindo Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa, Osório, Xangri-Lá e Mariápolis, onde proporciona um cuidado humano e personalizado a seus pacientes.

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