Displasia do desenvolvimento do quadril

Displasia

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) descreve um espectro de condições relacionadas ao desenvolvimento do quadril em bebês e crianças pequenas. Ela abrange o desenvolvimento anormal do acetábulo (local de inserção da cabeça do fêmur – o osso da perna), do fêmur proximal e instabilidade mecânica da articulação do quadril.

Os recém-nascidos, geralmente, apresentam frouxidão fisiológica do quadril e imaturidade do acetábulo durante as primeiras semanas de vida. Na maioria dos casos, a frouxidão é resolvida e o acetábulo passa a se desenvolver normalmente. Com avaliação dos fatores de risco, exame físico em série dos quadris e uso apropriado de estudos de imagem, a maioria das crianças com quadris patológicos podem ser diagnosticados e tratados corretamente sem sequelas a longo prazo.

A displasia e a instabilidade do quadril também ocorrem em associação com outras condições, por exemplo, Ehlers-Danlos, síndrome de Down, artrogripose. A displasia neuromuscular do quadril ocorre quando há fraqueza e/ou espasticidade em alguns ou todos os grupos musculares do quadril (por exemplo, na espinha bífida ou paralisia cerebral). O diagnóstico e tratamento da displasia teratológica e neuromuscular do quadril diferem do diagnóstico e tratamento da displasia do quadril em bebês saudáveis.

As características clínicas dessa condição dependem da idade da criança e da gravidade da anormalidade. A sua apresentação varia de instabilidade no exame do recém-nascido, a abdução limitada sutil no bebê, a marcha assimétrica na criança, a dor relacionada à atividade no adolescente e a osteoartrite no adulto. Quanto mais cedo a DDQ for detectada, mais simples e eficaz será o tratamento e melhor será o resultado a longo prazo.
Os fatores de risco mais importantes são sexo feminino, posicionamento pélvico com ≥34 semanas de gestação (se a apresentação cefálica externa é bem-sucedida ou não) e história familiar de DDQ.

O exame do recém-nascido e os exames de consultório com duas a quatro semanas de idade são particularmente importantes para a detecção precoce da DDQ. Aspectos importantes do exame geral para displasia de quadril incluem o exame neurológico e o exame da coluna e das extremidades inferiores distais, procurando anormalidades associadas a essa doença e outras causas de instabilidade do quadril.

Bebês e crianças pequenas com luxação do quadril não tratada, raramente mostram sinais de dor ou outras limitações. Isso, porque a maioria delas se desenvolve no tempo certo e não fica com sequelas. Essa condição, geralmente, não retarda a idade em que o menor começa a andar. Um quadril luxado pode funcionar bem por muitos anos. No entanto, com o tempo, pode haver progressão gradual da incapacidade funcional, dor e doença degenerativa do quadril acelerada. O risco dessas complicações não está bem definido, mas pode estar associado ao desenvolvimento de um falso acetábulo. Pacientes com luxações unilaterais podem apresentar discrepância no comprimento das pernas, problemas nos joelhos, escoliose e distúrbios da marcha e dor nas costas (talvez relacionada ao aumento da lordose lombar).

Essa manifestação pode ser diagnosticada, incidentalmente, quando as radiografias são obtidas por outros motivos. Como vimos acima, o curso clínico para pessoas com esta apresentação é variável. Entretanto, após a idade escolar, a probabilidade de melhora espontânea é baixa, desenvolvendo, assim, doença articular degenerativa prematura na adolescência ou na idade adulta jovem. A dor pode começar logo após a maturidade esquelética ou, nas mulheres, durante a primeira ou segunda gravidez, ou na menopausa. Pacientes com 40 a 60 anos de idade que apresentam osteoartrite do quadril, geralmente apresentam displasia leve como causa contribuinte.

A ultrassonografia é a principal técnica de imagem para avaliar o tipo e a estabilidade do quadril infantil. É um complemento importante para a avaliação clínica, até quatro a seis meses de idade, ser útil na confirmação dos achados do exame físico.

O tratamento da DDQ é iniciado com o encaminhamento a um cirurgião ortopédico pediátrico ou outro cirurgião ortopédico que esteja familiarizado com o diagnóstico e tratamento da DDQ.

O objetivo da terapêutica escolhida é obter e manter o alinhamento dos centros geométricos da cabeça femoral e do acetábulo do quadril, a fim de evitar essas complicações e melhorar o desenvolvimento da criança.

Veja meus Vídeos

Dr. Daniel Souto

É ortopedista e traumatologista com formação e graduação em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Especializou-se em ortopedia e traumatologia na grande Florianópolis, no Hospital Homero de Miranda Gomes, também conhecido como Hospital Regional de São José. Além disso, realizou o fellowship em Traumatologia do Esporte em São Paulo, e participou de diversos cursos voltados ao desenvolvimento de atletas de alta performance. Hoje, é chefe do serviço de Traumatologia do Hospital de Tramandaí – RS, e diretor clínico e ortopedista no Centro de Especialidade e Reabilitação em Osório. Seu atendimento abrange diversas cidades do litoral gaúcho, incluindo Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa, Osório, Xangri-Lá e Mariápolis, onde proporciona um cuidado humano e personalizado a seus pacientes.

Artigos recentes